A festa de Nossa Senhora do Rosário,
no Brasil, está ligada a grupos negros
que realizam os autos populares conhecidos pelos
nomes de Congadas, Congado ou Congos. Por essa
vinculação aos negros, as Congadas
se tornaram também uma festa de santos
de cor, como São Benedito e Santa Efigênia.
Origem Africana do Culto
O culto das Congadas tem origem afro-brasileira.
A África pré-colonial recebeu
a influência dos religiosos Missionários
Dominicanos, que levaram, junto com sua Catequese,
a devoção à Nossa Senhora
do Rosário aos negros africanos. Os negros
acrescentaram a esta devoção elementos
próprios, como os bailados guerreiros
e as coroações, cristianizando
suas práticas de culto à Natureza.
O modelo religioso dominicano foi recriado com
elementos próprios da cultura africana,
dando origem às chamadas congadas.
A Imagem na Praia
A fundamentação mítica
das Congadas está numa tradição
católica africana que afirma que uma
imagem de Nossa Senhora do Rosário apareceu
no mar. Os grupos de negros apareceram com seus
tambores, cantando para a santa e pedindo-lhe
que viesse para protegê-los contra o inimigo.
A imagem veio se encaminhando, no movimento
lento do vaivém das ondas, lentamente, até
chegar à praia, e é chamada para
caminhar com eles. Os Moçambiques resgatam
a imagem e os Congadeiros, chamados Filhos do
Rosário, são os que convidam Nossa
Senhora para o caminho, preparando, com suas
evoluções, símbolos, cantos,
vestuário colorido, galhos e flores,
a passagem da santa. Seus cantos expressam os
problemas sociais que vive o grupo e a religiosidade,
a confiança em Nossa Senhora e nos santos
negros como força no enfrentamento de
suas duras lutas pela sobrevivência.
A Congada no Brasil
A presença deste bailado popular aparece
no Brasil no tempo dos vice-reis, desde o Ceará
até ao Rio Grande do Sul, como resgate
da cultura africana, relembrando a coroação
do Rei do Congo no Brasil. Sua cantilena é
uma adaptação da “Canção
de Rolando”, epopéia francesa,
que chegou até nós através
dos Jesuítas. Os Jesuítas a utilizaram
como um grande instrumento de catequese na evangelização
do Brasil. As danças guerreiras do instinto
negro servem de base para criar uma espécie
de luta irreal e coreográfica entre o
bem e o mal, entre cristãos e mouros.
Há lutas, embaixadas, cantos, e sempre
os cristãos vencem os mouros, que acabam
sendo batizados. Depois, todos juntos fazem
a festa em louvor a Nossa Senhora do Rosário
e São Benedito. As violas, o canzá,
caixas, tambores, acompanham os cantadores.
Um Significado Atual
De fato, a Congada no Brasil é um bailado
notável e com um simbolismo de significado
muito coerente com a origem da própria
devoção à Nossa Senhora
do Rosário. A Festa Litúrgica
de Nossa do Rosário foi instituída
por S. Pio V, exatamente para celebrar a intervenção
de Nossa Senhora, através da oração
do Rosário, na vitória naval da
batalha que libertou os cristãos dos
ataques das forças muçulmanas
em Lepanto, na Grécia, em 07 de outubro
de 1571. A devoção à Senhora
do Rosário tem a ver com luta, com vitória
e sobretudo com a PAZ. Os Congadeiros expressam
tudo isto com as suas danças: a confiança
naquela que é força nas suas lutas
e a vitória como acordo festivo entre
adversários. A Congada contém,
inclusive, um significado muito atual. O mundo
de hoje vive, de fato, uma profunda tensão
religiosa com nuances de dominação
política e econômica. Em Fátima,
a mesma que diz “Eu sou a Senhora do Rosário”
também se titula a Rainha da Paz. Sua
mensagem fala de muitos rosários pela
PAZ. A espiritualidade quase pueril das Congadas
na sua devoção à Nossa
Senhora do Rosário tem muito a nos ensinar
como um apelo a tomarmos nosso Terço
na mão e conquistarmos, com Nossa Senhora,
muitas vitórias pela paz.
Referências Bibliográficas
Fonte: Anuário dos Festivais
de Folclore de Olímpia, SP, 7ª.
a 36ª. Edições.
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